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FENAE
Koff recebe últimas homenagens na Arena
Centenas de torcedores foram ao velório do ex-presidente multicampeão

Gremistas prestaram homenagens a Fábio Koff | Foto: Ricardo Giusti




O dia10 de maio de 2018 está imortalizado como um dos dias mais tristes e doloridos para a gigantesca torcida gremista. Fábio André Koff, exaltado como o maior presidente do Grêmio segundo os ex-companheiros de clube, morreu às 7h20min no hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, aos 86 anos.

Manifestações de solidariedade com a família, de pesar pela perda de um dirigente do quilate de Fábio Koff - foi ele quem teve coragem de enfrentar a Confederação Brasileira de Futebol, criar o Clube dos 13 e batalhar por mais direitos para os clubes - chegaram de todos os lugares. Ex-dirigentes, ex-jogadores, clubes, entidades, políticos, atuais atletas do elenco do Grêmio, ex-técnicos, todos tinham uma palavra de carinho para dizer, uma lembrança para compartilhar ao lado de Fábio Koff.

O técnico do Grêmio, Renato Portaluppi, disse que o ex-presidente foi como um pai para ele. Renato foi seu jogador na conquista da Libertadores e Mundial e seu treinador em 2013. Emocionado, agradeceu pela convivência e falou que Koff está para sempre no coração dele, Renato, e no de todos os gremistas. "Estou muito triste com a notícia do seu falecimento e tenho absoluta certeza de que não é só o Grêmio que sentirá sua falta. O futebol brasileiro perde um grande homem".

Luiz Felipe Scolari, treinador que viveu grandes momentos ao lado de Fábio Koff, disse que ex-dirigente o fez crescer como pessoa e profissional. “Expresso, por isso, a mais profunda gratidão por todos os momentos vividos ao seu lado”, destacou.

Duda Kroeff, atual vice de futebol, e ex-presidente destacou que soube aproveitar, no tempo em que esteve junto de Koff no Grêmio, de toda a sabedoria. "Foi ele quem me colocou como presidente."

O atual presidente gremista, Romildo Bolzan Júnior, disse que será eternamente grato a Fábio Koff. A Arena foi preparada para o velório. Romildo foi um dos primeiros a chegar e recepcionava a todos que foram se despedir do ex-presidente. Centenas de torcedores começaram a formar fila no entorno, olhos marejados, enrolados em bandeiras. Alguns incrédulos, ficavam a olhar o vazio, como não acreditando. Na chegada do caixão, aplausos efusivos e cânticos.

Lá dentro, centenas de gremistas se abraçavam, consternados. Mazaropi, goleiro campeão da Libertadores e do Mundial, com a voz embargada, lembrou que a relação com Fábio Koff era transparente: "Ele cumpria tudo que falava".


Colorados prestam solidariedade


A bandeira do Inter, tal como a do Grêmio, foi colocada a meio mastro desde o começo do dia. Na Arena, Fernando Carvalho e Marcelo Medeiros, atual mandatário colorado, falaram da relação com o ex-dirigente gremista.

Carvalho exaltou a carreira vitoriosa e Medeiros enalteceu o respeito que Fábio Koff sempre demonstrou com o Inter. "Koff foi diferente, presidente vitorioso, presidente na frente do seu tempo, vencedor, disse Carvalho.

Medeiros frisou que apesar da rivalidade, Fábio Koff tinha um respeito muito grande pelo Inter, acima de tudo sabia o que fazer para engrandecer o futebol brasileiro.


Paixão pelo Grêmio


Koff estava internado desde o dia 3 de maio e faleceu vítima de infecção generalizada e falência múltipla dos órgãos. Lutou até o final. Na vida, pelo Grêmio e pelo futebol brasileiro. Havia superado um câncer, resultado de longos anos de tabagismo e em 2016 passou um grande período hospitalizado por problemas respiratórios. Estava afastado do futebol, mas nunca deixou de acompanhar o clube do coração, o qual se associou em 1958. Teve uma ascensão veloz, fruto da sua paixão pelo Grêmio, dedicação e profissionalismo. Entrou para o Conselho Deliberativo em 1967. Em 1976, ao lado do também "imortal" ex-presidente Hélio Dourado, foi eleito vice-presidente de futebol.


Libertadores e Mundial


O primeiro correu no biênio 1982/1983. No primeiro ano, o clube amargou o vice-campeonato brasileiro para o Flamengo. No ano seguinte, porém, o Tricolor teve suas maiores glórias. O clube se tornou o primeiro do sul do país a ganhar a Libertadores da América. Foram duas batalhas contra o Peñarol. Mas, o Olimpo (morada dos Deuses) como dirigente e do clube veio com a conquista do Mundial de Clubes, em 1983, contra o Hamburgo no Japão.


Década de 90


Em 1994, no segundo ano da sua segunda passagem pela presidência, ergueu a Copa do Brasil ao lado de Luiz Felipe Scolari na casamata. Eles ainda iriam conquistar a América em 1995, o Brasileirão de 1996 e a Recopa Sul-Americana em 1997. O bicampeonato mundial escapou nos pênaltis para o poderoso Ajax. Neste período o Grêmio ainda ganhou três campeonatos gaúchos.


Presidente na Arena


Koff foi eleito após uma eleição acirrada com Paulo Odone e assumiu no biênio 2013/2014. Os títulos, desta vez, não vieram, mesmo mesmo repetindo a dupla com Felipão. Mas, deixou como legado a reestruturação e o apaziguamento do clube. Passou o comando para Romildo Bolzan Júnior, que seguiu à risca os ensinamentos do "Doutor Fábio Koff" e fez, de novo, o Grêmio vencedor para orgulho de todos os gremistas.






Fonte: CP