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Gilmar bate de frente com Moro e elogia pacote anticorrupção
Ministro ironizou o argumento do juiz de que este não é o melhor momento para discutir punições para juízes e promotores
Gilmar bate de frente com Moro e elogia pacote anticorrupção  Geraldo Magela/Agência Senado
Gilmar Mendes e Sergio Moro participam de debate no Senado sobre projeto que atualiza a lei do abuso de autoridade
Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), bateu de frente com o juiz federal Sergio Moro ao elogiar o papel dos deputados na aprovação do pacote anticorrupção, que ocorreu na madrugada de quarta-feira. Gilmar avaliou que a Câmara "andou bem" ao retirar do projeto itens que tratam de habeas corpus e aceitação de provas ilícitas.

Moro e Gilmar participam de um debate no Senado sobre o projeto que atualiza a lei do abuso de autoridade.

– A Câmara fez bem em rejeitar a questão do habeas corpus. Nesse ponto, a Câmara andou bem em rejeitar habeas corpus, a prova ilícita. Se esse projeto tivesse sido aprovado, isso acabava com o habeas corpus como o conhecemos – disse Gilmar.

O ministro ainda ironizou o argumento, apresentado nesta manhã por Moro, de que este não é o momento adequado para discutir mudanças nas punições para juízes e promotores, pois pode passar para a população a ideia de uma tentativa de tolher investigações em curso.

– Qual seria o momento adequado para discutir esse tema, de um projeto que tramita no Congresso há mais de sete anos? Vamos esperar um ano sabático das operações? Não faz sentido algum – rebateu Gilmar. 

Ele também minimizou o apoio popular que o pacote das dez medidas anticorrupção, apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF), recebeu, reunindo mais de dois milhões de assinaturas. 

– Duvido que esses 2 milhões de pessoas tivessem consciência disso, ou de provas ilícitas, lá no Viaduto do Chá (SP). Não vamos canonizar iniciativas populares – ironizou.

O ministro ainda criticou o vazamento de gravações por autoridades. Em março, foram vazadas na imprensa gravações autorizadas por Moro entre a ex-presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. 

– Há vazamentos, e é preciso dar nome pelo nome (que é) – provocou Gilmar.