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Assembleia gaúcha rejeita plebiscito sobre venda de estatais em 2018
Sartori é derrotado mais uma vez. Com isso, não há mais chance de a consulta ocorrer junto com as eleições de outubro
Assembleia gaúcha rejeita plebiscito sobre venda de estatais em 2018. Foto: Vinicius Reis / Agência ALRS / Rádio Rio FM




Por 29 votos a 23, a Assembleia Legislativa rejeitou, no início da noite desta terça-feira, o projeto que reduzia de cinco para três meses o prazo entre o chamamento e a realização de um plebiscito para consultar os eleitores sobre a federalização ou a privatização de três estatais de energia – CEEE, Sulgás e Companhia Riograndense de Mineração (CRM). Com isso, não há mais chance de a consulta ocorrer ainda em 2018, junto com as eleições de outubro. Enviado em regime de urgência, o texto passou a trancar a pauta em 29 de maio no Parlamento.

Por mais de duas horas, os deputados debateram o teor da matéria. Temendo não ter votos necessários, a base aliada solicitou, por diversas vezes, a verificação de quorum com intuito de retardar a votação para a próxima terça.

Ao lamentar a derrota em plenário, o líder de governo, deputado Gabriel Souza (MDB) adverte que sem a venda de estatais, o Piratini pode inviabilizar a costura de adesão do Estado ao plano de ajuste fiscal, com o governo federal. “Isso coloca em xeque não só a adesão, mas naturalmente também coloca em risco a liminar que nós temos na Justiça e que nos dá a possibilidade de não pagar a dívida, que custa em torno de R$ 280 milhões por mês”, lembrou.

Desde agosto de 2017, o Estado não vem realizando o pagamento das parcelas da dívida com a União. Em março, o Piratini já havia deixado de repassar mais de R$ 2,2 bilhões ao Planalto. Gabriel Souza criticou ainda a postura de parlamentares aliados do PSDB, PPS e parte do PTB, que votaram contra o governo.

Já o deputado Luiz Fernando Mainardi (PT) comemorou a vitória em plenário e destacou que o governo de José Ivo Sartori entra enfraquecido no processo de reeleição, uma vez que outros temas terão de ser debatidos a partir de agora. “Se foi o governo Sartori. Eles sabiam que não tinham votos e tentaram colocar o plebiscito como forma de manipular a opinião pública no processo eleitoral. O povo gaúcho quer tratar sobre saúde, segurança e educação e não sobre três empresas estatais”, criticou.

Nas galerias e do lado de fora da Assembleia, funcionários das três companhias fizeram pressão contra o projeto, desde o início da tarde. Após a votação, eles comemoraram soltando foguetes na Praça da Matriz.

Pela manhã, a Mesa Diretora do Parlamento havia aprovado, por 4 votos a 3, o requerimento do governador José Ivo Sartori solicitando a convocação do plebiscito. A realização da consulta em outubro, porém, dependia da aprovação do projeto rejeitado hoje à noite. O texto previa alterar uma lei de 1991 que definia o prazo mínimo, de cinco meses antes das eleições, para a Assembleia recorrer à Justiça Eleitoral. Cabe a ela regulamentar o plebiscito, formulando as questões e estipulando regras para as campanhas em prol e contra a entrega das estatais de energia.






Rádio Guaíba