Eleitorado brasileiro com 60 anos ou mais tem crescido em ritmo muito superior ao total de votantes

Com crescimento de 74% desde 2010 e queda na abstenção, eleitores com mais de 60 anos consolidam papel estratégico em disputas eleitorais acirradas no país

Geração Prateada avança no Brasil e se torna peça-chave em eleições polarizadas - Foto: Divulgação


Um levantamento da Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados, baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que o eleitorado brasileiro com 60 anos ou mais — a chamada Geração Prateada — tem crescido em ritmo muito superior ao total de votantes. Entre 2010 e 2026, enquanto o número geral de eleitores aumentou 15%, esse grupo avançou 74%, passando de 20,8 milhões para 36,2 milhões de pessoas.

De acordo com a análise, esse contingente ainda pode aumentar até o prazo final de cadastro eleitoral, em maio. Até o momento da coleta, o Brasil contabilizava 156,2 milhões de eleitores aptos, contra 135,8 milhões em 2010. Em um cenário político polarizado, como o observado nas últimas eleições, conquistar o voto da população mais velha torna-se estratégico.

Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, esse grupo tem potencial para influenciar decisivamente os resultados eleitorais, sobretudo em disputas equilibradas. Embora não determine sozinho o desfecho, seu peso — equivalente a cerca de um em cada quatro eleitores — pode funcionar como fator de desempate.

O crescimento desse público acompanha a tendência de envelhecimento da população brasileira. Em três décadas, a parcela de pessoas com 60 anos ou mais passou de 7% para 16%, refletindo diretamente no aumento de sua participação no eleitorado, que já chega a 23,2%.

Outro aspecto relevante é a redução da abstenção entre os mais velhos. Entre os eleitores com 60+, o índice caiu nas últimas eleições, enquanto, no conjunto da população, houve aumento. Mesmo entre os maiores de 70 anos, cujo voto é facultativo, a participação tem crescido, indicando maior engajamento político desse segmento.

Além disso, também se observa aumento no número de candidatos com mais de 60 anos. Nas eleições de 2024, esse grupo representou 15% das candidaturas, o maior percentual da série histórica iniciada em 1998.

Diante desse cenário, especialistas avaliam que tanto os eleitores mais velhos quanto os mais jovens — especialmente aqueles entre 16 e 18 anos — tendem a ser públicos estratégicos para campanhas eleitorais, com capacidade de influenciar os rumos de disputas acirradas.

 

Fonte: Agência Brasil
Reportagem: Alana Gandra 
Foto: Divulgação
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